Como eu me rendi ao mundo conectado

Apesar de ter acesso à Internet desde o fim dos anos 90, eu confesso que demorei muito para confiar em ter dados nas nuvens. Talvez meus traumas começaram com os super instáveis serviços de blogs que existiam no começo do século XXI. Não era muito difícil o seu blog ficar fora do ar ou você perder todos os seus posts. Os serviços de e-mail ou eram atrelados ao seu provedor de Internet, algo que as gerações mais novas têm a sorte de não saberem o que é, ou eram gratuitos e inconfiáveis. Assim, era comum você perder seus e-mails.

Vale lembrar que webmail, esse serviço de e-mail que você utiliza acessando um navegador de Internet como o Chorume Chrome, Firefox ou Edge, normalmente era utilizado por quem não conhecia muito Internet. O mais comum e desejável, era se conectar utilizando um cliente de e-mail, que salvava todos os seus e-mails no seu computador removendo-os do servidor, da tal “nuvem”. As grandes vantagens desse modelo: você podia ler seus e-mails calmamente sem estar conectado à Internet e liberava espaço na sua conta de e-mail.

A saber: a Internet naquela época custava por hora e mesmo quando surgiram os planos com horas ilimitadas, você ainda tinha os custos da linha telefônica. Assim, quanto menos tempo você estivesse conectado, melhor. E as contas de e-mail normalmente tinham 10 MB, 30 MB ou algo do tipo. Lembro da minha enorme conta no meu provedor com 50 MB.

Além dos custos, a Internet era estupidamente lenta e pouco disponível ao público em geral.

Assim, fui moldado com a ideia de que tudo que está fora do meu computador, seja em um servidor conhecido na Internet, na “nuvem” ou qualquer outro lugar, é de difícil disponibilidade.

Meus amigos da mesma faixa etária parece que conseguiram com bastante facilidade entender que hoje as coisas não são mais assim.

Ficando Online

Recentemente, devido a um problema sério com meu provedor de Internet, fiquei quase uma semana somente com a internet móvel. Acho que isso me fez, finalmente, admitir e entender que Internet, nos dias de hoje, é um serviço tão essencial quanto luz e água. Você não pensa sua vida baseando-se na possibilidade de não ter mais luz elétrica. No máximo compra umas velas para ter alguma iluminação à noite e não consumir toda bateria do seu celular com a lanterna.

Anos atrás eu já havia dado o primeiro passo para “ir para a nuvem”, através da Steam, uma espécie de “loja de jogos”, onde você não tem mais seus jogos em uma mídia física (CD/DVD). Embora todos essas anos tenha me incomodado o fato de eu realmente não ter o jogo e ficar nas mãos de uma empresa que caso um dia desapareça, desaparecerá com todos meus jogos.

Depois passei a utilizar um drive virtual como backup de documentos, embora sempre com o pé atrás por conta de possível vazamento de dados. Bem, não há nada realmente crítico lá. No máximo as pessoas leriam textos que eu nunca publiquei.

Mas a mudança final foi com serviço de música por stream.

Stream de Músicas: do ódio ao amor

Sempre vi as pessoas falarem do Spotify e sempre odiei tudo que eu vi a respeito desse serviço. É uma análise puramente emotiva, baseada no que eu vi as pessoas falarem. Nunca usei o serviço.

Os artistas ganham pouco (não que ganhem muito com os CDs, mas é bem menos), não parecia ter tudo que eu procurava, tinha um conceito de “rede social” nojento, ter que abrir a ferramenta e lembrar que existe lixo como sertanejo universitário e outras porcarias me dava nó no estômago, qualidade de áudio bastante inferior a CDs e, claro, pouca liberdade de levar as músicas para onde eu quisesse e sem ter que pensar em Internet.

Amazon Music

Aí eu fiz assinatura do Amazon Prime, por conta do stream de vídeos. No serviço, vem uma versão de demonstração com Amazon Music. Decidi então testar, já que estava ali, de graça.

Comecei procurando das bandas mais obscuras que eu ouço até as mais populares. Wolverine, Myrath, Hemina, Evergrey, Van Halen, Epica, Pain of Salvation, Dream Theater. Achei tudo e mais um pouco. Versões remasterizadas que eu nem sabia que haviam sido lançadas.

Assinei a versão completa e adorei. Achei a qualidade do som boa.

Outra coisa muito importante: gapless. Em faixas contínuas, você não nota que começou uma faixa e terminou outra, exatamente como é no CD. Para um álbum ao vivo ou um progressivo conceitual isso é super importante pra mim.

O problema é que fiquei ouvindo muito músicas que eu não conhecia. E qual o problema disso? Bem, o problema é que quando eu ouvi, notei uma diferença gritante na qualidade. Achei muito estranho, era bem claro que a música não “enchia” meu fone de ouvido como minhas músicas dos CDs faziam.

Pesquisei e descobri que realmente, a qualidade do streaming era inferior e que somente no exterior havia o tal de Amazon Music HD disponível, aí sim com a qualidade de CD.

Que desgraça. A merda do Spotify é assim também?

Tidal

Já estava decidido a ir para o mundo de música via stream e procurei por serviços que ofereciam alta qualidade no Brasil. Acabei achando o Tidal que oferece não só áudio em qualidade de CD como também em qualidade Master (qualidade de estúdio) para alguns álbuns. Isso foi bem interessante.

Fiquei simplesmente apaixonado pelo serviço. Tem tudo e mais um pouco do que eu tinha na Amazon. Por exemplo, o álbum mais recente do Myrath não estava disponível na Amazon, mas está no Tidal.

Descobri algumas bandas legais também, embora eu seja chatíssimo com música e os algoritmos de recomendação não me entendam. Esse até acertou algumas.

O aplicativo para Windows é realmente muito bom. Criação de playlists é super fácil, a navegabilidade muito melhor, muito mais informações sobre a banda e tem uma disponibilidade de letras de músicas muito maior do que as disponíveis na Amazon, que é bastante restrita.

A versão para Android também é bem boa. Só faz streaming na qualidade Master caso esteja usando wi-fi, se for a internet móvel utiliza qualidade de CD ou inferior. Você escolhe.

E, para completar, meu novo provedor de Internet dá 3 meses grátis no Tidal e um pequeno desconto na assinatura.

Valeu muito a pena.

E caso o mundo realmente fique sem Internet e luz elétrica, acho que terei problemas muito maiores para resolver do que não poder jogar EuroTruck Simulator 2 ouvindo Van Halen.

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