Quem cancela os canceladores?

O mal sempre surge com um verniz de algo bom. Dessa vez, com a suposta desculpa de “punir pessoas que fazem algo ruim”, surgiu o cancelamento na Internet. É algo que deveria preocupar bastante os defensores de liberdade de expressão, pois a história já provou que a opinião da maioria não necessariamente é a correta e justa.

O que é o “cancelamento”?

Quando alguém diz ou faz algo considerado impróprio pela massa anônima da Internet, essa massa, coordenada por alguns influenciadores, vai atrás dos patrocinadores da pessoa para pedir o fim de seu financiamento, demissão de emprego, exclusão nas redes sociais, degradar sua imagem, enfim, realmente excluir a pessoa da “sociedade digital”, ou seja, cancelar ela.

E o problema é esse: massa anônima coordenada por alguns influenciadores, os iluminados, os escolhidos.

Pátria Analfabeta

Como já disse outras vezes, é muito difícil ter qualquer discussão sobre qualquer tema no Brasil, devido aos índices altíssimos de analfabetismo funcional, pois, afinal, como você vai debater com alguém que simplesmente não entende o que é dito? E pior do que isso: é arrogante ao ponto de achar que a teoria maluca que recebeu via Whats, sem fonte alguma, refuta estudos científicos sérios.

Aí sempre que se fala em “liberdade de expressão” já surgem os terraplanistas da argumentação com exemplos esdrúxulos envolvendo calúnia, difamação, ameaça de morte e outros absurdos.

Ontem ouvi um relato de Arthur Petry – um dos vários “podcasters” do Brasil, sobre já ter recebido ameaças de agressão física e estas serem classificadas pelo seu possível agressor como “liberdade de expressão”. Segundo ele, o criminoso disse que “queria dar um soco na cara dele e isso era a sua liberdade de expressão”. E não é um caso isolado. Basta você mergulhar no esgoto da Internet, o Twitter, e observar qualquer “debate” sobre liberdade de expressão para ver opiniões totalmente descabidas confundido atos com palavras. Para essa gente, liberdade significa anarquia e a degradação completa da civilização e do caráter humano, restando apenas o animal que sai soqueando qualquer um que o desagrade.

Monark

Do dia para noite, um anarquista que defende liberdade de expressão aos padrões da constituição Americana (uma das mais abertas democracias do mundo, ressalto), virou nazista e foi sumariamente cancelado, não só pela Internet, mas também por órgãos de grande imprensa. Quem já acompanha Monark há tempo sabe o quão absurdo é considera-lo nazista.

Eu não gosto desse modelo de liberdade defendido pelo Monark e utilizado nos EUA. Não me parece minimamente razoável permitir a criação de um partido cuja ideologia inclua o extermínio e escravidão de um povo. Esse papo de que “é bom ver o inimigo aparecer para sabermos quem é”, pode funcionar lá, mas aqui eu acho que não funcionaria. Nós somos um povo burro e ignorante demais, facilmente manipulável. E mesmo em civilizações teoricamente mais avançadas, como na Alemanha, um Partido Nazista com um líder hábil conseguiu causar uma das maiores tragédias já registradas.

Apesar de discordar, entendi o que o cara com apelido de marca de bicicleta quis dizer. E pensei que todo mundo entenderia.

Mas não.

O cancelamento do Monark chegou a níveis nunca antes vistos. Chegou a ser acusado de nazista no Jornal Nacional e na grande mídia. Tentaram acabar com a vida de um maconheiro bêbado que se expressou mal na Internet, enquanto pessoas lúcidas que repetidas vezes pregam, com todas palavras, “extermínio do patrão”, “morte da classe média” e outras barbaridades desse tipo, são entrevistas como “democratas” e nunca são “canceladas”.

E então, quem cancela os canceladores?

E quando a corja de canceladores está errada, quem “cancela o cancelamento”? Quem cancela os canceladores?

Talvez seja a sociedade. Mas uma sociedade extremamente chucra, que transforma um anarquista maconheiro bêbado e mal preparado em grande influenciador, que passa pano para crimes de políticos se lhe for conveniente, que dá um tapinha nas costas de deputado que passa a mão no peito de uma colega mas que cassa e “cancela” um outro que fala merda, é capaz de se rebelar contra os canceladores?

Eu não sei e, por isso, preocupo-me mais em vigiar e melhorar os meus valores éticos e morais para não acabar sendo cancelado, não pela corja de doentes do Twitter, mas sim por quem realmente importa.

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